07 setembro 2009

Dunga e Jesus





Luiz Antônio Prósperi
Campeão da Copa América, da Copa das Confederações, classificado ao Mundial de 2010 com três rodadas de antecedência e líder das Eliminatórias, com o melhor ataque e defesa. Dunga está no paraíso. E Ricardo Teixeira, acreditem, também.

Para o bem ou para o mal, as conquistas de Dunga entram nas contas positivas do presidente da CBF. Quando Teixeira inventou Dunga como treinador, o mundo caiu. Quando todos, disse todos, queriam a saída do aprendiz de técnico da Seleção, só o senhor Ricardo disse não.

Em 2008, no Mineirão, contra a mesma Argentina, o treinador recebeu uma vaia estrondosa. “Dunga, seu jumento!”, “Adeus Dunga!” gritaram os mineiros. Ao final do jogo, Messi foi aplaudido de pé. Teixeira disse não. Sustentou Dunga sem dar ouvidos aos críticos e até a amigos.

Bom lembrar que o início do reinado de Dunga foi tortuoso. A cada convocação surgiam nomes que nem o mais otimista torcedor gostaria de ver com a amarelinha. Para chegar à final da Copa América de 2007, a Seleção derrotou o Uruguai nos pênaltis com a ajuda do árbitro. Na última penalidade, o zagueiro Lugano bateu e o goleiro Doni avançou quase aos pés do uruguaio para fazer a defesa. O juiz ignorou a saída de Doni. A Seleção venceu e foi para a final com a Argentina. Deu um baile nos vizinhos.

Nas Eliminatórias, um dos atacantes preferidos por Dunga era o fraco Afonso. Por sorte do treinador, Afonso se machucou e Luís Fabiano foi convocado. Na sua estreia, salvou o Brasil de derrota para o Uruguai marcando os gols da virada no Morumbi. A lesão de Afonso fez Luís Fabiano entrar no grupo de Dunga. E Afonso, que ganhou visibilidade e dinheiro após ser chamado, nunca mais apareceu no time.

Kaká, outro expoente da nova era Dunga, também não estava entre os preferidos pelo treinador. Remanescente do fracasso na Alemanha, Kaká era reserva de Dunga até arrasar a Argentina com um gol antológico em um amistoso em Londres. Depois teve o caso da cirurgia que Kaká se submeteu, deixando a Seleção de lado em junho de 2008, sob ódio visceral de Dunga. Não foi fácil Kaká superar as desconfianças e se firmar líder da Seleção.

Hoje, Dunga é unanimidade. A Seleção não brilha. Faz da eficiência a sua marca. Sólida na defesa, mortal nos contra-ataques, não desperdiça as jogadas de bola parada treinadas à exaustão. Há quem goste deste jeito de jogar futebol.

No ambiente interno, por inspiração de Jorginho, impera a adoração a Jesus. Os evangélicos predominam e inibem os que “não têm Jesus no coração”. Este é o modelo. Se vai dar certo em 2010, só o tempo vai dizer. O futebol, cabe o alerta, não é dado ao pensamento único.
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