14 fevereiro 2010

Tuna Luso, jejum de 20 anos





Ferreira da Costa
Especial para O LIBERAL e Amazônia

É profundamente lamentável para toda a torcida paraense o fato de a Tuna Luso Brasileira, a Elite do Norte, ficar de fora do banquete do Campeonato Paraense de Futebol pela terceira vez. Afinal, quem é Remo ou Paysandu não esconde sua simpatia pelo grêmio de origem lusitana. E a participação da Tuna no certame estadual sempre foi tradição e serviu para dar equilíbrio à disputa. Quantas vezes a Lusa roubou a cena, jogando para escanteio a dupla Re-Pa? Várias. São dez títulos do certame estadual e dois campeonatos brasileiros, que enriquecem o patrimônio do futebol luso.

A queda da Tuna no futebol se acentuou a partir do início do século 21. No entanto, o declínio começou muito antes. Segundo consta nos bastidores, os problemas começaram quando aqui aportaram vendedores de títulos de sócio proprietário e de sócio remido vindos de outras regiões. Iludiram os dirigentes lusos. A Tuna, clube de elite, que possuía como seus associados a nata da colônia lusa e também muitos brasileiros de 'classe A', foi aberta às outras classes sociais. Pessoas humildes passaram a ter título de sócios proprietários da Tuna. Foi uma 'enchente'. Com isso, os associados tradicionais se afastaram, procurando outras agremiações, como Pará Clube, Assembleia Paraense e Grêmio Literário Português.

A crise, a partir daí, se acentuou, pois a Tuna não pôde mais contar nem com os antigos associados, os da classe A, bem como das demais categorias sociais, B, C e D, que deixaram de pagar seus títulos e mensalidades, taxas de manutenção, etc.

Sem numerário para bancar o futebol com a contratação de grandes valores de outras praças, a Tuna começou a amargar o fantasma do rebaixamento de divisão nos campeonatos nacional e estadual. Até 2005, ainda conseguiu se manter de pé, formando seu time com base nas escolinhas. Mas a partir daí surgiram novas forças, vindas do interior do Estado, que acabaram entrando no banquete e desbancando a Lusa. Nesse caso, Cametá, Águia, São Raimundo, Castanhal e Ananindeua, que deram nova vida à disputa, revitalizando o Estadual.

Em 2006, a Tuna ficou de fora do Campeonato Paraense. Em 2007, recuperou-se e chegou até a ameaçar o Remo, disputando a final, mas ficou com o vice-campeonato, tendo feito 22 jogos, com 6 vitórias, 11 empates, 5 derrotas, 21 gols pró, 25 gols contra, déficit de 4 bolas. Em 2008, uma vergonha: a Tuna, entre dez equipes, acabou na vice-lanterna, só ficando à frente do Pedreira. Jogou 18 partidas, venceu 4, somou 10 derrotas, 4 empates, marcou 19 gols e sofreu 36, com saldo negativo de 17. Em 2009, foi disputar a Segundinha e não alcançou classificação. Em 2010, a dose se repetiu.

Uma pena a Tuna de fora do campeonato. Só temos que torcer a fim de que os verdadeiros tunantes se unam e tragam de volta a Elite do Norte no próximo Estadual.







Os times campeões
Títulos estaduais
 1937 - Licínio, Setenta e Cinco; Aldomário, Pelado e Setenta e Sete; Lulu, Conegas, Jango, Pitota e Patesko.
 1938 - Bubu, Setenta e Cinco; Aldomário, Pio e Macedo; Lulu, Conegas, Pinhegas, Pitota e Matos.
 1941 - Simeão, Bereco e Cinco; Chiquinho, Pio e Setenta; Monard, Lulu, Conegas, Pitota e Poeira.
 1948 - Dodó, Sabá e Conde; Totinha, Nonato e Biroba; Juvenil, China, Palito, Teixeirinha e Daniel.
 1951 - Dodó, Bereco e Sabá; Abimael, Bendelack e Biroba; Juvenil, Teixeirinha, Paulo Oneti, China e Daniel.
 1955 - Sarará, Mário Nei e Nonato; Maneco, Sátiro e Muniz; Juvenil, China, Estanislau, Teixeirinha e Daniel.
 1958 - Sarará, Peruzinho e Nonato; Ivan, Sátiro e Muniz; Edílson, Chininha, Estanislau, China e Juvenil.
 1970 - Omar, Marinho, Abel, Carvalho e Acari; Antenor e Waltinho; Fefeu, Mesquita, Leônidas e Gonzaga.
 1983 - Mário Fernando, Quaresma, Bira, Ronaldo e Mário Vigia; Samuel, Queiroz e Jorginho; Tiago (Dorval), Miltão (Mariolino) e Luís Carlos.
 1988 - Nunes, Jair, Belterra, Paulão e Jango; Maracanã (Sanauto), Dema e Vicente; Tiago, Cabinho e Gil Mineiro (Ageu).
Títulos Nacionais
 1985 - Taça de Prata (2ª Divisão do Brasileiro) - Ocimar, Quaresma, Paulo Guilherme, Ronaldo e Mário Vigia; Ondino, Queiroz e Edgar; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos.
 1992 - 3ª Divisão do Brasileiro - Altemir, Mário Vigia, Juninho, Luiz Otávio e Joãozinho; Varela, Ondino, Jaime e Sanauto; Ageu (Manelão) e Tarcísio (Guilherme).
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