02 abril 2011

Elias Ribeiro Pinto - Eleição na República do Peixe Frito

Sem que o sensei saiba, eu mantenho um arquivo de muitas coisas dele. e hj revirando alguns discos achei isto, nao sei de ondei roubei e nem como. Mas ai vai a cola.




Elias Ribeiro Pinto

Cavalheiros e madames (conforme plaquinhas nos WCs) freqüentadores já sabem, mas reforço a convocação: amanhã é dia de eleição na República do Peixe Frito. A campanha foi intensa, em alguns momentos abrasiva, acalorada, nada que umas e outras geladas não resolvessem, abrandando as gargantas inflamadas de discursos.

Candidato à reeleição de representante-mor dos freqüentadores da República, Ronaldo Franco diz que vai manter estável o preço do peixinho frito. Seus concorrentes lembram que o preço está para lá de estável, deveria é regredir aos "valores praticados" antes da fama que acometeu a República. Criticam ainda o fato de Ronaldo ter promovido reformas de última hora, para encher os olhos do eleitorado, como o novo forro em PVC.

Reformista na arquitetura, Ronaldo, no entanto, não vê por que mexer em time que está ganhando. Com isso quer dizer que não apóia a idéia de acrescentar arroz, feijão ou batatas fritas ao peixe frito que fez a fama da casa. O acompanhamento, sustenta, é imexível: a lasca de peixe, a peça de resistência, vai continuar chegando à mesa em parceria com as cumbucas de farofa, vinagrete e a presença luxuosa, plasticamente perfeita, diga-se, de uma perfumosa pimenta-de-cheiro.

Os adversários têm reclamado bastante do uso da máquina em favor do poeta. Naná, a charmosa garçonete, mantém o candidato oficial, além de continuamente servido, também continuamente abastecido do zunzunzum que corre nas mesas em torno, onde conspira-se por cima e por baixo das ditas mesas, inclusive nos dias em que Ronaldo não pode ir bater o ponto, atarefado em garimpar financiamentos para sua campanha.

Daí, já houve rachas, defecções (epa), e no seio (que já andava bem caído, é verdade) dos próprios coligados. Et pour cause, José Carneiro, por exemplo, já lançou as sementes de uma candidatura futura, ensaiando vôo próprio. O maior problema ficará por conta da conta propriamente dita, quando lhe chegar ao ouvido a palavra de ordem maldita: "Não pagas nada?".

Paulo Cal, por sua vez, cogumelo, digo, fruto do mesmo tronco partidário de Ronaldo, foi sondado para agregar-se ainda no primeiro turno, mas manteve candidatura independente. Arquiteto, tenta convencer os desconfiados eleitores de que não imporá, eleito, nenhuma reforma monumental à República. Radical (é da primeira dentição de expulsos do PT) combatente do aglomerado de virilhas masculinas roçando-se por baixo e esgoelando-se por cima da mesa, prega, entre outras e umas p(r)egações, a entrada em cena (ou por baixo dos panos) da república feminina. Mas, alto lá!, explica. O buraco varejado de concreto do Edmilson, versão ainda mais pornográfica que o ex-buraco da Palmeira, jamais terá seu ingresso permitido. Ou vice-versa, sei lá.

Cal, como última tentativa para levar o pleito (também caído. In: Macaco Simão) para o segundo turno, lançou ontem, Por aí...., o manifesto "O antifeísmo na cidade". Ou seja: as mulheres são bem-vindas, mas as feias, que nos perdoem (quer dizer, perdoem o candidato), não. Ou seja: Paulo Cal terá mesmo de se valer do voto das execradas virilhas masculinas.

A eleição está polarizada entre os dois candidatos citados - citados, inclusive, pela justiça amnésica. Quando ela se lembrar do porquê da citação, eles serão notificados.
Mas uma candidatura corre por fora (da braguilha). A minha, a do Pinto, ou melhor, do Pintão, para os íntimos, melhor ainda, para as íntimas. Hein, quem falou aí em propaganda enganosa, fraude eleitoral? Intriga da concorrência.

Minha esperança é que, porre ou bom, o eleitor vote em mim, o que não será difícil, principalmente já de porre, que a Lei Seca, na República, está mais para encharcados em geral. Naná, mais uma. Ah, devo dizer que a Naná é quinta-coluna. O bondiano e seanconneriano Ronaldo pensa que a charmosa garçonete trabalha para ele - trabalha, por baixo da mesa, para mim.

Minha candidatura, quer dizer, a do Pinto, começou a crescer à medida que chegou às mãos dos eleitores... quer dizer, quando os eleitores puderam conferir minhas propostas, meu programa, incluindo as garotas de. Eleito, prometo não fazer absolutamente nada, promessa plenamente exeqüível. É só continuar fazendo o que faço agora. Quem não fez antes, não fará é agora. Em time que está perdendo (tunantes, sabemos do que falamos) também não se mexe.

Naná, façamos o seguinte. Traz mais uma. Hein, como é que é? Dr. Ronaldo diz que vai pagar a conta de hoje? Dr. Paulo Cal garantiu a carona? Tudo bem, diga que eu aceito dar o golpe e formarmos uma junta governativa. Revogam-se as disposições em contrário, inclusive direito de resposta.
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