08 maio 2011

Amor pela Tuna Luso atravessa gerações

do http://diariodopara.diarioonline.com.br/


Ele pode até não se expressar muito bem ainda, mas é só a música do celular tocar “nós estamos empunhando a bandeira, comemorando a nossa vitória...”, que, antes mesmo de a melodia do primeiro verso terminar, o pequeno Bruno de Oliveira, de 5 anos, exclama: “É o hino da Tuna!”, diz ele, com firmeza, enquanto veste a sua camisa branca da Águia Guerreira.


Bruno ainda não sabe cantar todo o hino, apenas reconhecê-lo. Se soubesse, veria que a segunda estrofe é dedica a ele: “Tu és a Águia do Souza e serás sempre em toda geração”. O pequeno torcedor faz parte justamente da nova geração de torcedores da Tuna Luso Brasileira que, ao contrário do que muitos pensam, vem se renovando.

A mãe bicolor, Lívia de Oliveira, diz que quando Bruno era mais novo, não tinha time. Mas, depois de voltar de um jogo entre Tuna e Águia pelo campeonato desse ano, o filho veio decidido. “Ele tirou uma foto com o goleiro (Adriano) e pronto: passou a torcer pela Tuna”, contou Lívia. Ela bem que tentou e ainda tenta fazer o filho torcer pelo Paysandu, mas não teve jeito. “Tu vais torcer pelo Paysandu quando ficar grande?”, indaga a Bruno, que logo responde com um belo “não”.

Mesmo morando em uma casa cercado de remistas e bicolores, Bruno resolveu torcer pela Tuna. A mãe acredita que foi graças à influência do padrinho do garoto e pela diversão que foi ir pela primeira vez ao campo da Cruz de Malta. “Ele é um garoto com personalidade forte, não muda mais de time. Agora já era”.

Victor Tourinho, 15 anos, é outro torcedor da nova geração. Assim como ele, é comum ver no estádio garotos gritando, reclamando e até chorando pela Tuna. “Desde os seis anos vou para o Souza com meu tio Junior e meu avô. Gostava de passar o domingo lá. Não teve como não me apaixonar. Ser tunante é uma devoção”, assegura o adolescente, que ficou conhecido por se jogar no chão e chorar na classificação da Tuna para a elite do Parazão, em dezembro do ano passado.

“Eu classifico meu amor pela Tuna como ‘inclassificável’. Sem dúvida, a Tuna é o meu maior amor”, completa o apaixonado e jovem torcedor.

Admiração que nasce dentro de casa
Se o pequeno Bruno sente falta de morar com torcedores que compartilhem a mesma paixão, os primos Vitor Saul, 3 anos, Sarah Maria, 4 anos, e Roana Saem, 3 anos, já nasceram cercados de tunantes. Na família da garotada, a tradição é passada de geração a geração. “Essa é a terceira geração já”, conta Antônio Magalhães, avô delas, que foi goleiro da Águia do Souza nos anos 70, quando era adolescente.

O vovô admite que a influência da família ‘pesou’ na escolha do time do coração da garotada, mas garante que o prazer que eles têm de serem tunantes é superior. E, na hora de fazer a foto para a posteridade com o encontro de gerações, a pequena Roana percebe que algo na bandeira da Tuna não estava certo. “Ei, vô, tá faltando as estrelas”, diz ela, apontado para cima do escudo da Tuna, que está de fato sem as duas estrelas das conquistas dos Campeonatos Brasileiros.


“Sempre vai haver essa renovação. Hoje, a Tuna já está cheia de torcidas jovens organizadas, que podem até ser pequenas, mas são tão fanáticos quanto os mais velhos. A Tuna é isso, é família, é corpo a corpo, é paixão”, garante Magalhães.

AMOR VERDADEIRO

“Para muitos somos pequenos, mas para nós somos grandes”. A frase é do Movimento Uniformizado Cruzmaltino (MUC), torcida organizada da Tuna que não possui mais do que 50 torcedores. Os dizeres traduzem bem o que é torcer pela Águia Guerreira. “Nós somos chamados de Elite do Norte porque nossa torcida é pequena. A elite da nossa sociedade não é pequena e restrita?”, esclarece Magalhães.

O que ele não consegue explicar é de onde vem tanta paixão por um time que há muito tempo não ganha títulos expressivos e ainda esse ano está ameaçado de rebaixamento. “A Tuna para mim supera todos os meus amores. As minhas emoções são todas ligadas à Tuna; minha vida não pode ser contada sem falar nela, que um dia foi muito grande, com times de primeira divisão nos temendo. Infelizmente, desde que a colônia portuguesa se afastou, a coisa desandou. Junto com a Portuguesa, éramos a maior criadora de craques do país”, relembra com orgulho e os olhos marejados. (Diário do Pará)
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