24 setembro 2013

O 'Poema 15' de Pablo Neruda em 21 idiomas

Poema XV de Pablo Neruda
Gosto quando te calas
porque ficas ausente,
e me ouves desde longe,
e a minha voz não te alcança.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo,
te cerrase a boca.
Como todas as coisas estão cheias
de minha alma...
emerges tu das coisas,
cheia da minha própria alma.
Borboleta de sonhos,
és como minha alma
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto quando te calas
porque ficas ausente,
estás como que se lamentando,
borboleta que sussuras.
Me olhas de longe e minha
voz não te alcança.
Deixa que me cale com teu silêncio.
Deixa que eu também fale com teu silêncio,
iluminado como uma lâmpada,
simples como uma aliança.
És como a noite quieta e estrelada,
teu silêncio é como uma estrela,
tão distante e singelo.
Gosto quando te calas
porque ficas ausente.
Distante e dolorida como se tivesses morrido.
Uma palavra então,
um sorriso basta.
E já fico feliz,
feliz com aquilo que não é certo.
Há 40 anos, morria o poeta chileno Pablo Neruda, um dos mais traduzidos do mundo. Pablo Neruda morreu em 1973, após o golpe de Estado no Chile Ele faleceu apenas 12 dias a após o golpe de Estado que derrubou o presidente Salvador Allende e instaurou um regime militar no Chile, em 1973. Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971 e sua obra é lida e recitada em muitos países de todos os continentes. O escritor colombiano Gabriel García Márquez chegou a dizer que ele foi "o melhor poeta do século 20 em qualquer idioma." A BBC reuniu repórteres dos 21 idiomas nos quais transmite o Serviço Mundial para recitar o Poema 15, uma das obras mais conhecidas do poeta chileno. Da BBC
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