A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram apoio ao jornal O Estado de S.Paulo por considerarem que a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal não passa de censura prévia. A Justiça, por meio de uma decisão do desembargador Dácio Vieira, proibiu a publicação de qualquer informação relativa à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga, entre outros, Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).
A decisão determina que a empresa não publique informações sobre a investigação da Polícia Federal e proíbe outros veículos de comunicação, como emissoras de rádio e TV, além de jornais impressos e eletrônicos de todo o País, de utilizar ou citar material de O Estado de S.Paulo.
O juiz determinou multa de R$ 150 mil para "cada ato de violação" do comandou judicial. Assim, a cada reportagem publicada, a multa pode ser aplicada. Fernando Sarney havia solicitado multa de R$ 300 mil.
De acordo com o jornal, os advogados de Fernando afirmam que a publicação praticou crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas na operação com autorização judicial e alegaram que a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.
Ainda segundo o jornal, o desembargador é do convívio social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Foto publicada pelo O Estado de S.Paulo mostra que ele foi um dos convidados do casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, no mês retrasado.
O desembargador Dácio Vieira não foi localizado em seu telefone residencial para comentar a decisão.
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