14 março 2010

FERAS DO FUTEBOL PARAENSE- zagueiro Belterra






Sales Coimbra(Portal ORM)

Da Redação

Em 1988, a Tuna Luso montou um bom time, contratando jogadores de certo renome do cenário regional, como o volante Duarte, ex-Paysandu, os meias Dema e Sanauto, formados nas categorias de base da Águia, Ageu Sabiá, atacante que marcou época no futebol paraense, atuando também por Remo e Paysandu. No meio de todos esses jogadores, um jovem de 26 anos, que havia chegado ao Souza dois anos antes, acabou conseguindo a titularidade e sagrando-se campeão paraense pela primeira vez na longa e vitoriosa carreira: o zagueiro Belterra.

Jorge Wilson Wanghon Coelho, natural do município de Belterra, no Oeste do Pará, foi revelado no São Francisco, em 1980, onde foi tetracampeão santareno, atuando ainda jovem no Fluminense de Santarém, clube pelo qual também foi campeão municipal. Em 1989 passou pelo Ceará-CE, participando da conquista do Campeonato Cearense daquele ano, antes de ser contratado pelo Remo, onde também foi campeão estadual na mesma temporada. Mas foi a partir de 1990, com 28 anos, que ele se tornou titular absoluto da zaga azulina, para tornar-se, na década seguinte, um dos maiores jogadores a atuar com a camisa do Leão.

Zagueiro de futebol sério, sem firulas e com uma velocidade acima da média para a posição, ele se tornou rapidamente um dos jogadores mais importantes do time remista, ganhando ainda seguidos prêmios de melhor zagueiro da imprensa especializada.

O histórico pentacampeonato azulino, conquistado entre 1993 e 1997, durante o qual o Remo construiu a marca de 33 jogos sem perder para o arquirrival Paysandu, teve a marca de Belterra, que em várias oportunidades carregou a braçadeira de capitão da equipe.

Depois de escrever seu nome na história do Remo, aos 37 anos, Belterra ainda teve fôlego para ser campeão paraense pela décima vez na carreira, dessa vez vestindo a camisa do Paysandu, em 1998. Título que lhe garantiu a honra de ser o quarto jogador a ter conquistado o título pelos três grandes da capital (Remo, Paysandu e Tuna Luso). Os outros três foram o zagueiro Abel, o lateral Marinho e o meia Mesquita.

Em 2001, aos 40, Belterra foi "repatriado" pelo São Raimundo. Alternando boas e más partidas, o jogador fez parte da terceira defesa mais vazada do Parazão. Ao final daquela temporada, o declínio técnico e físico finalmente forçou o zagueiro a pendurar as chuteiras.

Hoje, aos 49 anos, Belterra mantém-se afastado do futebol profissional. Poucas pessoas do meio têm contato com ele. E mesmo sendo convidado, por repetidas vezes, para dirigir equipes do Oeste do Pará, o eterno xerife da zaga azulina sempre responde negativamente. Atualmente, ele dedica seu tempo à administração de seus negócios naquela região, que incluem uma escola de ensino fundamental, uma escolinha de futebol e uma panificadora.

Como começou sua vida no futebol?

Tudo começou nos dentes de leite do Náutico de Santarém, na década de 1970. Mas foi no São Francisco, onde fiquei de 1980 a 1984, que me profissionalizei e conquistei os primeiros títulos. Fomos tetracampeões santarenos neste período. Depois joguei no Fluminense de Santarém, onde também fui campeão da cidade em 1985. Foi quando apareceu a Tuna Luso na minha vida e pude ir para Belém. Daí em diante, minha carreira profissional decolou de verdade.

Qual a melhor fase de sua carreira?

Não tenho dúvida de que foi no Remo, durante o pentacampeonato de 1993 a 1997. Fui titular da equipe em todas as campanhas, jogando bem a maioria das vezes e, com isso, pude escrever meu nome na história do clube.

Qual a melhor equipe de que você fez parte?


Olha, não sei se posso dizer qual foi a melhor. Todos os times em que joguei tinham grande jogadores, tanto que fomos campeões na maioria das vezes. O que posso destacar é um dos times pelos quais mais tenho carinho, que foi aquele de 1993, que conquistou o primeiro título do pentacampeonato, que tinha: Luis Carlos, Marcelo, Belterra, Mário César e Batata; Agnaldo, Biro-Biro e Alberto; Romeu, Cacaio e João Santos.

Por que você resolveu se afastar do futebol profissional depois que pendurou as chuteiras?

Na verdade, essa foi uma decisão que eu havia tomado mesmo antes de encerrar a carreira de jogador. Nunca foi um objetivo meu ser treinador, que é um trabalho ainda mais desgastante que o de jogador. Também nunca quis ser empresário de jogadores ou dirigente de clube. Na verdade, o que eu sempre quis era poder voltar para Santarém e ter mais tempo para dedicar a minha família. E, graças a Deus, foi o que eu fiz. Hoje em dia, o mais próximo que chego do futebol é dirigir uma escolhinha.

Como você vê atual momento do futebol paraense, com os clubes do interior crescendo e ameaçando os grandes da capital?

Acho que já era tempo disso acontecer. Acredito que quanto mais forte for o futebol do interior do nosso Estado, ainda mais forte será o da capital. E isso, no final das contas, também vai ser bom para Remo e Paysandu. Fiquei muito feliz com o sucesso do Águia de Marabá nos últimos anos e com o título da Série D do São Raimundo. Só queria ver o São Francisco brilhando também.

FICHA DO ÍDOLO

Nome Completo: Jorge Wilson Wanghon Coelho

Data de Nascimento: 28/10/1961

Naturalidade: Belterra, no Pará

Clubes: São Francisco-PA (1982-86), Fluminense-PA (1987), Tuna Luso (1988), Ceará (1989), Remo (1989-97), Paysandu (1998-99) e São Raimundo (2001)

Títulos: Campeonato Paraense (1988, pela Tuna Luso; 1989, 1990, 1991, 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997, pelo Remo; 1998, pelo Paysandu) e Campeonato Cearense (1989, pelo Ceará).

CURIOSIDADES

Belterra foi eleito o melhor zagueiro do Parazão em 1993, 1994, 1995, 1996 e 1997, atuando pelo Remo, e em 1998, pelo Paysandu.

 Ao lado do zagueiro Abel, do lateral direito Marinho e do armador Mesquita, Belterra figura entre os únicos jogadores a conquistar o Parazão pelos três grandes clubes do Estado: Remo, Paysandu e Tuna.

Em 2001, o zagueiro amargou a penúltima colocação no segundo turno do campeonato paraense, conquistando apenas oito pontos em nove jogos, quando defendia o São Raimundo.
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