06 junho 2010

estádio padrão Fifa, pago pelos chineses


Paulo Passos, enviado iG em Dar es Salaam  .Portal IG
Assentos individuais, banheiros limpos, corredores de acesso amplos para a entrada dos torcedores, espaço para tribuna de imprensa e área para estacionamento. Dores de cabeça para governos e administradores das 12 arenas que receberão a Copa do Mundo de 2014, as exigências da Fifa não são problema no local onde a seleção brasileira jogará nesta segunda-feira. Inaugurado em 2009, o estádio Nacional Benjamin Mkapa, em Dar es Salaam, cumpre com as exigências da entidade máxima do futebol mundial.
Com capacidade para 60 mil espectadores, a arena chama a atenção do visitante brasileiro. Além dos assentos individuais e de toda a estrutura para o acesso dos torcedores, o local tem uma ampla cobertura nas arquibancadas, uma telão e estrutura para a transmissão de partidas com 114 câmeras de televisão.

O custo total da obra do estádio chegou a U$ 53 milhões. Sendo que mais da metade desse valor, U$ 33 milhões, foi pago pelo governo da China.


A estrutura não é usada apenas para a prática do futebol. Há uma pista de atletismo em volta do gramado e está previsto a construção de um ginásio fechado na mesma área.


As arquibancadas são divididas em três anéis nas cores azul, verde e laranja, além de um setor VIP. Os ingressos para o jogo do Brasil estão sendo vendidos a U$ 25, U$40 e $180. São os
mais caros da história do país.

Inaugurado há pouco mais de um ano, o estádio virou ponto de turismo na cidade de Dar es Salaam e recebe visitas até mesmo em dias que não há jogos. Foi assim no último sábado, quando a reportagem do iG esteve no local.


Milhares de pessoas se amontoavam na área externa do Benjamin Mkapa, onde uma estrutura com um telão foi montada por uma rede de televisão local. O evento era para mostrar a qualidade das imagens que serão transmitidas durante a Copa do Mundo na África do Sul.

Estádio tem ampla cobertura nas arquibancadas, telão e estrutura 
padrão Fifa
Foto: Paulo Passos, enviado iG
Estádio tem ampla cobertura nas arquibancadas, telão e estrutura padrão Fifa

Para muitos moradores do bairro Habibu Mbonde, onde fica o estádio, foi a oportunidade de conhecer o “ vizinho”. “Nós não temos condições de pagar esse valor de ingresso. É a primeira vez que venho aqui”, disse Ibrahim Msham, sentado em uma das 60 mil cadeiras do estádio vazio. ”Mesmo assim, na segunda-feira isso tudo estará cheio. Tem gente que pode pagar”, completou o taxista.

Em frente ao estádio um grupo de 15 pessoas chamava a atenção. Nada de camisas da seleção local, do Brasil ou de clubes europeus. A vestimenta deles era outra: terno preto, com camisa e gravata rosa para os homens e vestido também rosa para as mulheres. Apenas uma se diferenciava das demais: a noiva, que vestia branco.


“Resolvemos trazer os nossos convidados aqui para ver essa vista bonita”, explicou o recém casado George Pangani. “Espero que traga sorte na nossa vida”, disse a noiva Aifi, ainda com o buquê na mão direita.


Chineses pagam a conta


A pintura na porta de metal do hidrante do estádio avisa: “made in China”(fabricado na China). E foi assim com quase toda a matéria prima usada na construção do estádio Nacional da Tanzânia. Máquinas, tubulações e até os andaimes, tudo foi importado do país asiático.
A influência chinesa é tão grande que o presidente Hu Jintao esteve na cerimônia de inauguração em fevereiro de 2009. O seu governo foi responsável por financiar mais da metade do valor gasto na obra.

A Tanzânia é um dos principais parceiros da China no continente africano. A estabilidade política, fato raro na região, e as riquezas naturais, com reservas de ouro, diamante, urânio, platina entre outros minerais, levaram o gigante asiático a investir no país.

 
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