18 março 2011

Leandro Cearense X Rafael Oliveira

Em meio às críticas ao futebol paraense, um dado chama a atenção no que diz respeito ao ponto mais importante que existe no mundo da bola: o gol. Entre os 20 campeonatos estaduais em andamento no Brasil, totalizando mais de 200 clubes, reunindo cerca de 4.600 jogadores - tendo como base que cada time tenha 23 atletas, como rege o padrão FIFA -, o artilheiro e o vice são paraenses, sendo que o primeiro é um ex-segurança (Leandro Cearense) e o segundo é um ex-flanelinha (Rafael Oliveira).

Após oito jogos pela fase elite do Parazão, Leandro Cearense, do Cametá, e Rafael Oliveira, do Paysandu, mantiveram a boa fase vivida desde as primeiras fases da competição, quando foram destaques em seus clubes.

O tricolor Leandro Cearense aparece em segundo lugar na artilharia da fase elite do Parazão, com 15 gols, mas já marcou 26 vezes na temporada. Os demais foram os 11 marcados com a camisa do Abaeté, na segunda divisão do Estadual (9) e na fase classificatória (2). 
Já o bicolor Rafael Oliveira já marcou 14 gols na fase elite, mas possui 21 tentos marcados na temporada, já que guardou a redonda na rede por seis vezes quando atuava pelo Ananindeua, na fase classificatória do Parazão, e ainda fez outro gol na Copa do Brasil, contra o Penarol (AM).

O ex-segurança - Com o artilheiro do Parazão, Leandro Cearense, que é, na verdade, de Castanhal - município localizado no nordeste do Pará - e é filho de cearense, a história também foi recheada de altos e baixos.

Aos 25 anos, Leandro tem uma carreira ainda curta no futebol profissional. Isso porque o garoto que abandonou o sub-17 do Remo após dois meses de treinamento por conta da dificuldade de transporte de Castanhal para Belém e, anos depois, foi dispensado no Paysandu, sem nem mesmo passar por testes, acabou sendo descoberto em uma pelada entre amigos.

Quando estava com a mesma idade que Rafael Oliveira tem hoje (23 anos), Leandro, que já ganhava a vida como segurança em eventos particulares, chamou a atenção de um olheiro do Santa Rosa. Foi chamado para se integrar ao elenco profissional e logo se transferiu para o Vila Rica, onde se destacou como artilheiro e chegou ao Abaeté. Já na fase elite, Leandro Cearense foi anunciado como reforço do Cametá, time que defende atualmente.
O ex-flanelinha - Depois de saber tudo isso, é difícil pensar na ocupação dos dois artilheiros longe da bola, mas... Quem vê o segundo maior artilheiro do Brasil em campeonatos estaduais de 2011, Rafael Oliveira, 'limpando' zagueiros e fazendo gols, pode não imaginar que ele era, na verdade, um flanelinha, que até limpava os carros para conseguir moedas de seus clientes.

Rafael, belenense de 23 anos, foi revelado no sub-20 do próprio Paysandu e começou a chamar a atenção no dia 5 de fevereiro de 2008, quando, ainda escalado como meia atacante, foi chamado por Givanildo Oliveira para um treino e fez dois gols na vitória dos reservas sobre os titulares.

No entanto, com as chuteiras nos pés, o garoto que limpava carros para agradar os clientes se caracterizou por ser indisciplinado no futebol. Perdeu espaço nos campos, desligou-se do Paysandu e foi para clubes de outros estados do país.

Entre os times que passou, o São José (RS) pode ser considerado um marco na carreira do atleta e do homem Rafael Oliveira. Com um trabalho de fortalecimento muscular e amadurecimento profissional, o meia que virou atacante voltou para o futebol paraense no São Raimundo e fez o gol que deu o título de campeão brasileiro da Série D ao Pantera. Hoje, sendo o maior destaque do Paysandu no Parazão, tem uma multa rescisória de R$ 200 mil e propostas de clubes como Atlético Mineiro e Atlético Paranaense.

Artilharia - No ranking dos artilheiros dos campeonatos estaduais do Brasil, a dupla aparece no topo, tendo o já consagrado Fábio Júnior, que acumula, inclusive, passagens pela seleção brasileira, como principal concorrente. O camisa 9 do América (BH) fez 10 gols no campeonato mineiro.

Por outro lado, no ranking histórico de todos os campeonatos paraenses, a dupla ainda tem muito trabalho pela frente para chegar à ponta. Isso porque o recordista é Bira, que marcou 32 gols no campeonato paraense de 1978, pelo Remo. Do Portal ORM


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