22 julho 2014

Goleada também no automobilismo

Do Blog do Ico -TOTAL RACE
O sucesso da Alemanha na Copa do Mundo e a humilhante goleada imposta à Seleção Brasileira na semifinal geraram inevitáveis comparações sobre o estágio do futebol de lá e o de cá. Num resumo básico, foi a vitória do planejamento, investimento e esforço da federação alemã contra o caos, a ganância e a crença que só o talento resolve da brasileira.
Se a diferença no futebol é gritante, o que dizer do automobilismo? Nos últimos vinte anos foram onze títulos para pilotos do país - e Nico Rosberg lidera a disputa deste ano. A Alemanha também possui o maior número de pilotos no grid - quatro. A fonte de novos talentos parece inesgotável.
Resumir isso a um “efeito Schumacher” seria um erro. De fato, o sucesso do piloto gerou uma explosão no interesse do país pelo automobilismo. Com os torcedores, veio o apoio de empresas. Mas tudo isso foi fomentado e trabalhado pela federação local. Criou-se e manteve uma estrutura que permite o aprendizado e a evolução de pilotos talentosos.
Um exemplo: Nico Rosberg e Sebastian Vettel tiveram na Fórmula BMW suas primeiras experiências com um monoposto. Quando a montadora retirou o apoio à categoria de base para investir em outras coisas, a federação e um automóvel clube local entraram em ação para mantê-la viva. Hoje, ela existe como Fórmula ADAC.
A comparação com o Brasil é inevitável. A Fórmula Futuro criada por Felipe Massa fechou as portas quando perdeu o apoio da FIAT. A Confederação Brasileira de Automobilismo não moveu uma palha para evitar que isso acontecesse.
Aliás, não fazer nada tem sido a especialidade da CBA há tempos. A entidade vive do dinheiro de emissão de licenças e os promotores de eventos no país vivem às turras com ela. Na conta da CBA vai também o fechamento do autódromo de Jacarepaguá - e a construção de um novo autódromo para o Rio de Janeiro vai ficar na promessa.
O saldo disso é lamentável. Sem formar pilotos, o Brasil caminha para depois de Felipe Massa - ou talvez de Felipe Nasr - para não ter nenhum piloto do país na Fórmula 1. Nas pistas, a goleada da Alemanha é ainda mais humilhante.
(Texto da coluna "Direto do Paddock", publicada na edição do Diário Lance!)
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