14 abril 2015

Uma linda jogada, pelo amor de Deus!

Eduardo Galeano se foi mas nos deixou a Bíblia da esquerda latino-americana " As veias abertas da América" houve uma época em ler o livro fazia parte de um avanço em muitas casinhas para todos os jovens. Um ritual nas décadas 70/80.
Mas nesses tempos duros, ..seria bom que muitos travassem um contato com " Futebol ao Sol e à sombra"
imperdoável como nós brasileiros tratamos a dita paixão nacional. Perdemos tempo em babaquice sem fim.. Imperdoável ao ver que mesmo todos se sentindo desportistas eméritos, não conseguem respeitar a cor amada do vizinho e nem fazer clap.,clap para Uma letra do jogador adversário.
Mas imperdoável é nunca ter estado em uma relva do Galeano. Mas um do meu time de botão que partiu para o outro lado da montanha.pqp!
Confissão de Galeano em "Futebol ao Sol e à sombra"
“Como todos os meninos uruguaios, eu também quis ser jogador de futebol. Jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: de dia era o pior perna de pau que já passou pelos campos do meu país.
Como torcedor, também deixava muito a desejar. Juan Alberto Schiaffino e Júlio César Abbadie jogavam no Peñarol, o time inimigo. Como bom torcedor do Nacional, eu fazia o possível para odiá-los.
Mas Pepe Schiaffino, com suas jogadas magistrais, armava o jogo do seu time como se estivesse lá na torre mais alta do estádio, vendo o campo inteiro, e Pardo Abbadie deslizava a bola sobre a linha branca da lateral e corria com botas de sete léguas, gingando, sem tocar na bola nem nos rivais: eu não tinha saída a não ser admirá-los. Chegava até a sentir vontade de aplaudi-los.
Os anos se passaram, e com o tempo acabei assumindo minha identidade: não passo de um mendigo do bom futebol. Ando pelo mundo de chapéu na mão, e nos estádios suplico:
– Uma linda jogada, pelo amor de Deus!
E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece.”
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