17 janeiro 2011

O ex-jogador Ondino divide com o ex-lateral Mário Vigia as honras de serem os únicos a conquistar dois títulos brasileiros pela Tuna Luso, nas décadas de 80 e 90.

Meia de estilo clássico, daqueles que só joga na bola, o ex-jogador Ondino divide com o ex-lateral Mário Vigia as honras de serem os únicos a conquistar dois títulos brasileiros pela Tuna Luso, nas décadas de 80 e 90. O apoiador, que caminha para meio século de vida, hoje se dedica a carreira no magistério, lecionando educação física em duas escolas de Belém. Mas Ondino não consegue ficar longe da bola. Ainda que não entre mais em campo, como fez por 16 anos, o ex-atleta tenta transmitir agora, o que sabe de futebol para a garotada que está começando a dar os primeiros chutes na redonda.
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Convidado para treinar o sub-17 da Lusa, Ondino, que já tinha experiência em divisões de base, aceitou de imediato. Encontrado no Souza, o ex-apoiador falou sobre as campanhas feitas pela Cruz de Malta para chegar aos títulos da Taça de Prata, em 1985, e Série C do Brasileiro, em 1992. Questionado qual das duas equipes era a melhor, Ondino não se fez de rogado: "Sem dúvida a de 85", disse. E justifica: "Era um time mais encorpado, como se diz. Tinha jogadores mais experientes", justifica, salientando que o grupo mantinha boa parte dos atletas campeões estaduais de 1983.

"Eu e o Paulo Guilherme, por exemplo, havíamos voltado do Botafogo/RJ, para onde tínhamos ido depois do campeonato de 83", destaca. O meia recorda ainda que a equipe de 92, dirigida por Nélio Pereira, contava com gente mais jovem. "Tinha o Juninho (zagueiro), o Guilherme (lateral) e outros jovens atletas, mas todos com vontade de chegar lá", argumenta. Na avaliação de Ondino, a campanha de 92 foi uma verdadeira epopéia. "Todas as viagens para os jogos fora (de Belém) foram feitas de ônibus. A mais longa foi para o penúltimo jogo em Feira de Santana (na Bahia)", recorda.

Na Lusa o meia jogou por oito anos. "De forma intercalada", detalha. O jogador chegou ao clube em 81 e no ano seguinte, após subir do sub-20, já era profissional. Aliás, a falta de revelações de novos jogadores, na opinião do ex-meia, foi um dos motivos que levaram a Tuna a situação em que tenta sair hoje. "Quando desprezou o atleta local para prestigiar o pessoal de fora começou a queda", avalia. O afastamento da colônia portuguesa do clube também, segundo Ondino, colaborou para o ostracismo.

Indagado sobre o que pesou mais para a Lusa chegar aos dois títulos nacionais, o meia aponta a união. "Não havia estrela em nenhuma das duas equipes. O grupo era de um nível só", resume. Uma coisa que orgulha o ex-jogador é ter o seu nome incluído entre aqueles que trouxeram o primeiro título nacional para o futebol do Pará. "Hoje falam em Remo e Paysandu campeões, tudo bem eles são mesmo, mas não podem de forma alguma tirar o pioneirismo da Tuna e de nós jogadores", conclui (Nildo Lima do Amazonia Jornal).
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